domingo, 26 de maio de 2013

Suddenly I see...

  Enquanto assisto o último episódio do meu favorito seriado perturbado, segurando um cigarro entre os lábios e passando a língua no meu recém rachado dente (sim, chorei com isso!); percebo o motivo por tamanho apreço por esse seriado psicótico...
  A satisfação pelo caos é extremamente perturbadora, mas mais perturbador é a tentativa constante de fugir dele...
  Eu sempre pensei na vida como estando em um futuro distante, sem me dar conta que eu já vivia. Por mais ridículo que pareça, a maioria das pessoas vivem assim.
  Me fizeram acreditar que o que eu sou e o que eu possuo (até onde o mundo material me permite) não é nada do que eu quero e não é a realidade, na verdade, a realidade chegaria assim que eu alcançasse um cargo bom em alguma carreira gratificante que os meus pais acham que eu caberia.
  Para não ser injusta, eu nunca dei a mínima para o que eles pensam, mas no final do dia quando você se deita e sua mente não para de funcionar, você se questiona: e se eles estiverem certos?
  É deprimente ser controlada por uma psiquê descontrolada!
  Nos últimos dias, conheci inúmeras pessoas que já têm toda a sua vida designada, toda a sua futura história traçada; como se realmente soubessem onde vão, o que farão e o que querem... Não é uma crítica e sim uma invejinha (mas não a verde!) pois no final do dia eu tomo uma pílula receitada pelo psiquiatra para simplesmente anestesiar o vazio de não saber o que eu quero... Mais do que isso, anestesiar meus sonhos abafados pelo vazio que eu escolhi que se encaixaria melhor a mim.
  No fundo do peito ainda existe aquela menininha entusiasmada por ter ganhado o concurso de literatura da 3ª série, por ter ganhado uma publicação de poesia no livro "Máscaras" aos 13 anos e o orgulho de sempre ter me conhecido tão bem, de sempre saber como me expressar e acima de tudo, sempre escrever como se meus lábios e sentimentos vivessem nas pontas dos dedos.
  Sabe, não é como se eu quisesse ter toda a minha vida planejada, como se eu quisesse que alguém tivesse implantado por lobotomia sonhos alcançáveis e fáceis; é apenas o reconhecimento da simplicidade que é tudo que eu amo e aprecio, sem ter que acelerar a fala para que dê tempo de falar tudo o que eu tenho programado e articulado para o resto da minha vida...
  É a competição de ser sempre melhor e maior que os outros. Eu só não consigo acompanhar, não por realmente não conseguir, mas por não ter paciência em criar toda uma ideia de vida perfeita que quando eu alcançar não fará o menor sentido ou seria ainda pior e eu teria êxito em alcançar a frustração de não conseguir ser boa o suficiente... E a propósito, ser boa o suficiente é uma questão de ponto de vista.
  Caro blog, não deixe transparecer minha insegurança. Ainda tenho uma imagem a zelar! E viva as máscaras pelas quais eu escrevia há anos atrás...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Make her feel

 O momento habitual em que ela se encontrou cansada de estar sempre disposta a tudo...

 Se levantou pela manhã procurando algo que pudesse fazê-la seguir em frente, questionando a maturidade de seus cruéis pensamentos.
 Enquanto encarava seu rosto cansado, cheio de marcas do passado, mastigava o que restava do pesadelo de ir dormir e sempre sonhar com sua realidade.
 Pobre dela que não podia reivindicar nada do que sentia, apenas sentar-se à lareira lastimando a veracidade de seus últimos atos.
 Estava tudo bem enquanto ela estava mergulhada na mais funda poça de seus sofrimentos, de seus mais trágicos problemas; ela não consegue lidar com a calmaria do mar...

 O significado da vida até então era sobreviver a pressão de ser quem era, de ter nascido no meio em que nasceu. Era saber distinguir seus momentos de sanidade absoluta e completo descontrole. Ela já não era ela mesma.
 Quando ela acordava mergulhada na esperança de que um dia seus problemas terminariam, estava anestesiada para a banalidade que é viver. Agora que se encontra livre de seus costumeiros dramas não pode mais seguir sem um anestésico que lhe faça sentir... Sentir algo que até então não lhe havia uma definição precisa. Era simplesmente o verbo em sua mais pura expressão: SENTIR!

 Façam-na sentir!