sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pela primeira vez como todas as outras.

Eu pude sentir o cheiro da brisa e o peso do vento sobre mim.
O Sol que ardia na pele mas aquecia o coração.
Mais uma reinventada e eu perco algum celamim.

A vida parece renovada a cada inspiração;
É só mais uma parte de mim tentando sobreviver,
Mas deixe minhas partículas reagirem à sensação!

Swear and Shake - These White Walls

Dinamite Oral de quem já não suporta.

A solução é mandingar sobre a desilusão quando ela está com um score 13x0!
Encho o prato com carne de soja; leio alcorões ultrapassados e assimilo à realidade da doutrina contemporânea; escrevo canções ‘extreministas’ e me limito ouvindo músicas assim; ajo em desacordo e admito, faço questão e se não for assim, eu sou mais uma personagem de filme mudo; pretendo revoluções diariamente, ingerindo amargura e evacuando liberdade; eu desejo o caos, mas quando eu digo isso, ninguém compreende que o caos já está aqui - desejo apenas a realidade e a inconstância dela; me perco em contradições e me irrito com pseudo-revolucionários que acham que ouvir rap, pintar o cabelo, fazer tatuagem, furar mais um piercing e ser sem educação é a evolução - ninguém reage, apenas emergem na podridão que tanto odeiam mas não têm a crença da revolução; não sou uma rebelde, como a maioria pensa, eu sou uma idealista - tenho meus direitos previstos na Constituição desde 1988, venha comigo honrar os seus, filho.
Aguardando galera sucumbir, todos sorrindo e desprezando a vontade de chorar. Todos amortizados pelos pecados capitais, indo à igreja aos domingos, tentando amenizar e acreditar que ainda há pelo que rezar, mas sem precisar reagir. Luta é luta, vem à ela quem é forte; o restante, engole calado e se lastima por não conseguir ser como nós.
Quando me vêem, se admiram com a minha personalidade e força na dicção forjada à influência, mas ainda ousam se expressar com elogios como “nunca vi alguém tão linda” e é bom existir uma vírgula definindo que beleza é essa, cara. Eu cuspo revolução e ainda se atrevem a me tratar como alguém à mercê dos padrões ilógicos dessa sociedade. Não é fácil afoitar e seguir em frente, mas eu continuo, porquê me recuso a ser mais uma. Para quem acredita em predisposição nata, eu nasci; e pra quem não, eu recusei o sucrilhos da infância!
Me sexualizaram e objetificaram sem qualquer razão para tal; se ideologia te excita, vai bater uma assistindo o discurso do Martin Luther King e lamente o apartheid enquanto ejacula hipocrisia.
Não ouse elogiar meu corpo, meu cabelo, minha cor e idolatrar meu órgão sexual sem antes digerir a acidez das minhas palavras! Eu não pertenço à cultura do silêncio barra ignorância, não me subestime. Não consigo agradar bitolados que aderem uma subideologia patriarcal e preconceituosa; chega mais, tenho discursos mastigados para cuspir em suas crenças! Depois assisto a corrosão dos seus ideais, enquanto me aproximo cada vez mais dos meus.
Não, cara. Eu não faço psicologia e não ouse dizer que eu deveria deixar o Direito e ser artista porquê o meu talento está na voz. Sim, você tem razão, meu talento está na voz - principalmente, no grito! Se as minorias não têm vozes fortes o suficiente por eles, eu cheguei. Que soe prepotente para quem não se importa, que soe como hino para quem luta, que soe como admiração para quem me entende, que soe como atrevimento para os pseudo-cultos, que soe como qualquer coisa aos ouvidos carcomidos pela sujeira social; eu não quero agradar, eu não quero influenciar, eu quero trazer paz e esperança para quem há muito perdeu.
Grite ‘Basta!’ para quem te discrimina, para quem não reconhece o seu valor, para quem te subestima, para quem te oprime, para quem não se importa com você; grite e chore, mas modifique! Ação é o que falta; reacionários, adpetos e estagnados tem aos montes. O que eu busco ainda não tem nome, mas eu nunca gostei de definições - eu gosto é da parte final e elucidativa da charada!
Eu grito todos os dias, grito para os que querem me ouvir e grito intimidando quem não quer. Grito por revolução!

Só mais um texto antes de começar a te ligar.

Resisti, mas por pouco tempo. Sucumbi, me pareceu mais fácil assim. Injetei nas veias a ilusão do amor e as entupi de estupidez; precisava preencher o vazio com um pouco mais de você - meu vício.
Se eu te conheço? Nunca fez diferença. Você também não me conhece, assim como todos que já amaram e nunca me conheceram. É ingenuidade pensar que você pode conhecer alguém sendo que sequer se conhece. Ingenuidade eufemizando sua burrice, claro.
Já caminhei inúmeras vezes por essa estrada e já sei exatamente onde pisar até o abismo. O abismo sempre me atraiu. Gosto de sentir os pés balançando entre o chão e o nada enquanto decido, mais uma vez, se caio ou saio.
Modifico a playlist a cada semana, escolho a estampa da sua camiseta e o tênis que você usa, planejo minuciosamente as palavras que você escolhe para me agradar. Você é minha boneca inflável forjada ao relacionamento, te manuseio como bem entendo.
Insisto em te ligar de madrugada dizendo que você não entende o quanto o seu desinteresse me interessa. E o fato de você nem se importar com isso, alimenta a minha maior doença: você!
Aguardo o dia em que o mundo fará você se lembrar de mim. O dia em que ouvir garbage, encontrar feministas, ler contos de poe, ver filmes de terror e estiver namorando alguém que não chega sequer aos meus pés; te fará lastimar o fato de que não pôde me corresponder, pois se tivesse, nunca teria sido tão amável com você.

Placebana.

Quando seu útero degenerar e necrosar o tecido endometrial periodicamente - desnecessário, já que preferia um pulmão reserva a uma encubadora embutida nas entranhas; enquanto seu cérebro entra em um tilt infinito e loopado, eu te darei o direito à palavra!
Até lá, você será sempre um coadjuvante na trama que traço constantemente entre nossas cruéis realidades. No entanto, não se chateie. Você ainda pode ser o capacho onde limpo os pés depois de mais uma guerra rotineira e a orelha depilada que aguenta minha revolta.
Enfie logo essa agulha na minha veia porquê eu preciso de mais uma nice trip em placebo! Amenizar a fome com marshmallows e a sede com vodca. Man, eu faço parte da Geração Caos! Os que me acompanharam aos 13 anos se perderam em uma estrada sem volta. Alguns se mataram, alguns se drogaram até secar todo o tecido adiposo e começar a cheirar pó dentro de suas próprias veias, alguns se entregaram aos contratos monogâmicos e os que mais me dão nó na garganta… São aqueles que se entregaram de corpo e alma à superficialidade, ao consumismo, aos padrões da mídia, às conversas sobre pacotes de canais de tv e aos planos de venderem seus all stars em algum bazar pra comprar um cappuccino na Starbucks. Vivendo um episódio de apocalipse sem zumbis; nação labirinto sem fim.
Alguns se baratinaram diante meus cachos agora negros. Alguns se revoltaram com o novo grave da minha voz. Alguns se assustaram com minhas roupas. Outros não reconheceram minha pele. Todos negando o sangue, todos negando a raça, todos negando meus novos olhos. Todo mundo em negação! É tanto placebo que acaba alisando os fios duros do couro cabeludo e desce maquiando as imperfeições e as cicatrizes de quem realmente fomos; nos tornamos e ainda somos.
Viver feliz é uma arte desgastada pela postura dos que se submeteram ao medo e tédio censurados pela sobrevivência!
Fui Barbie, fui Cassie, fui 4 tetas, fui Macarrão Sem Molho; pra eles, nunca fui Ana o suficiente. Hoje, sou Ana o suficiente para ser uma Blancato. Placebo, sua razão social é ‘Família’. Mas ainda uso o nome de Deus em vão e faço piadas sobre Judeus e Cristãos. Ouço as vozes de quem há muito já se foi e a razão: PLACEBANA!
Placebo é a nova droga inerte que me leva a acreditar que houve tratamento e cura. Houveram mudanças e crescimento. Obrigada, Placebo. Você é o novo cartoon debilóide que me faz rir e alucinar que tudo está bem quando na verdade, nada nunca esteve.
Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou, e perdeu. Ele é só um cara. E você já esqueceu outros caras antes.
—  Tati Bernardi

Aquela velha associação agridoce de sensações.

E se, por um breve momento, eu não existisse? Se todas as pessoas que me amam e as pessoas que eu convivo nunca tivessem me conhecido? E se nunca tivessem ouvido minha voz? Quem estaria preenchendo a minha lacuna vitalícia? Não sei dizer se faria diferença diante a subestimada substituição de seres… Reciclagem natural, eu te proclamo.
Quão insignificante é a existência de cada indivíduo? Quão fajuto é o sentimento urdido à perniciosidade? Alguém, de fato, tem resposta para algo?
Como preencher o vazio causado por fatores que eu não consigo enxergar por ser mais uma cega em auto análise e uma flagelante amadora?
Como evitar aquela ânsia de vômito depois de conseguir algo que eu tanto queria? Saí podando o desejo até moldá-lo exatamente como eu pretendia… Ilusão! Doce Ilusão, como fazê-la continuar interessante após sua concretização? Dê-me sua receita, maldita.
Os lençóis cheiram à invenção amorosa concretizada mas as narinas reconhecem como desprezo. A boca sente o amargo gosto de arrependimento e a mente flagela em busca de um meio que possa reverter a situação; como sempre.
Hoje, já não importa se seu interesse existe ou se surgirá. Sua presença só iria me contrariar. Talvez você também não se importe e ambos caminharemos em direções opostas sem sequer dar valor a concretização do meu amor idealizado… Mas, talvez, quando você finalmente pôde compreender que poderíamos dar certo; acabou. Acabou a graça, acabaram-se os tempos de “Heart is all gone” - que eu nunca soube, de verdade, se era por você ou pelo Tom; você acabou. Houve uma votação no final de semana e você deve se retirar do campo de batalha. A minha batalha louca e incansável precisa de um novo oponente enquanto eu não conseguir assimilar o amor como algo inofensivo e caloroso. Love is a competition, bitch. Deal with it!

Teoria do Princípio da Misoginia - Parte Geral

"Lá vem mais um dos textos feminazis da Ana, puts."
Puts, lá vem o patriarcado querendo destruir o que resta de esperança na minha pobre essência idealista. E você? Acredita que haja algo além dessa realidade escrota? “I DO! I DO! I DO!” Se sim, bora lá!
"Cite quais os principais problemas que as mulheres enfrentam hodiernamente." e como eu não poderia expressar isso em poucas palavras… É, me recusei à responder!
Assim como me recuso à acreditar que as pessoas se limitem por medo do que a sociedade possa enxergar através de seus binóculos que espiam o sofrimento alheio como se fosse uma espécie de Vicodin visual. Lamento, a dor alheia não é tv aberta para alienados!
Os principais problemas que as mulheres enfrentam hoje estão todos enraizados em suas mentes bitoladas de sujeira estética e corrupção moral! Se é culpa delas? Não, é culpa de todos nós.
Todas levadas a acreditarem que: “Se você não se fizer pura; não tiver um parceiro - que, claro, pode ter inúmeras parceiras por ter um saco escrotal; não tiver ojeriza à relações sexuais; não se maquiar; não se depilar; não se fizer de burra em assuntos substanciais; não pintar suas raízes loiras, pretas ou brancas; não esconder essa celulite e essas estrias; não se privar de palavrões e gírias; não idolatrar Augusto Cury; não lavar suas louças e as do restante dos moradores de outro gênero da casa; não fizer as unhas; não usar salto alto; não usar saia; não achar paetê bonito; não gastar todo o seu salário desproporcional comparado ao sexo oposto em tratamentos e torturas que te façam ficar cada vez mais parecida com uma estúpida boneca de plástico; não aumentar esses seios; não perder esses 300g de gordura acima do peso ideal imposto pelo padrão misógino; não proteger o ‘seu homem’ das ‘inimigas’ que você chama de amigas; expressar sua indignação; não gritar quando algo a sufoca; não estiver apta a se machucar com as loucuras ditadas à você sem se manter calada; decidir não aderir a maternidade; decidir que a porra do seu corpo te pertence e etc bla bla bla. BLÁ! Você não tem direito de exigir respeito, MULHER! Ponha-se no seu lugar. A cozinha é pra lá e lembre-se de esfregar sapolium nessa aliança para que ela possa brilhar tanto quanto o amor que você sente pelo seu marido e familiares. O seu papel é esse. Adapte-se.”
Mas claro que se fôssemos expressar a realidade de um privilegiado seria: “Posso coçar o saco - já que eu tenho um; posso falar sobre sexo - e falar mal das mulheres que eu comi; posso deixar meus pelos crescerem; minha barriga de chop só demonstra o quão interessante eu sou; posso fazer piadas machistas, racistas, preconceituosas e cruéis - claro, tudo é muito engraçado quando não é comigo; posso dirigir meu carro enquanto buzino para alguma barbeira - já que mulheres dirigem super mal; posso sujar a minha roupa quando quiser - minha mãe ou mulher lavarão para mim; posso assistir o meu jogo de futebol e jogar truco com os meus amigos - minha mulher preparará os aperitivos; posso transar sem camisinha com quem eu quiser - além do mais, não é nas minhas entranhas que um ser indesejado vai crescer e o governo irá me impedir de retirá-lo caso eu não queira porquê a vida de um amontoado de células é sempre mais importante que a minha; posso transar com quantas eu quiser - porquê a minha pureza nunca foi superestimada e não possuo um hímen santificado pela Igreja Católica e pela misoginia; posso sair sem camiseta por aí quando estiver calor; posso cantar a mulherada e esfregar meu órgão nelas porquê eu sei que elas adoram - já que eu não compreendo o terror que é passar em um lugar cheio de olhos famintos te encarando e verificar a própria roupa em busca de um alvo demarcado nela; posso falar palavrões e quantas baboseiras eu quiser por ter um PINTO; posso dormir na casa das ‘namoradas’ já que a minha família vai ficar orgulhosa de mim - se eu tivesse uma vagina, eu não colocaria um pé pra fora de casa por medo de ficar ‘queimada na rua’; posso praticar luta e esportes radicais porquê de acordo com o senso comum eu sou o ‘sexo forte’; mas no final das contas, eu ainda posso contar com a ajuda daquelas pobres criaturas inferiores que foram inseridas no mercado de trabalho apenas por oportunismo, sabe? Vieram para facilitar o meu trabalho, mas ainda não possuem nenhum dos meus privilégios… Porquê, claro, eu continuo sendo o ser que carrega aquele cajado mágico, sabe? Qual o nome mesmo? Ah, pinto! Isso. É que eu sempre chamo ele de ‘Hulk’ ou ‘Máquina’, já que eu aprendi desde pequeno que devo ter orgulho do meu órgão sexual e explorá-lo profundamente enquanto as mulheres devem se contentar em me ouvir gabar sobre ele e se sentirem sujas ao se lembrarem que possuem a peça que se encaixa nele.”
Obviamente, ou melhor, espero que obviamente não seja uma generalização. Apesar dos últimos acontecimentos me provarem o contrário…
Sucintamente, o que eu quero dizer é: o machismo é uma semente da discórdia tão eficaz que escorrega no seco da garganta até adentrar alguma brecha ao cérebro e se apossar da racionalidade das pessoas.
Ingênuos dirão que isso é tudo coisa da minha cabeça enquanto ignorantes dirão que eu devo me adaptar se não quiser ser ‘mal vista’ ou ainda pior… Ser uma feminista!
E sabe o que é ainda pior em ser feminista? É ser contra quaisquer espécies de preconceitos; é acordar todas as manhãs sem me dar conta que devo me silenciar por possuir uma vagina; é reagir às críticas de maneira positiva e sem me submeter ao vício em piadas de humor negro superestimadas por essa massa estúpida; é ouvir mulheres se auto denominarem machistas mas me calar pois o feminismo dá à elas o direito da livre escolha; é ouvir a grande massa dizer que é contra machismo e feminismo, enchendo a boca pra dizer que ambas as correntes são loucas e assassinas; é acreditar que apesar de toda essa desinformação cultuada em palavras tão chulas e ofensivas, as pessoas podem aprender com as minhas atitudes; é acreditar que cada mísera palavra que eu digo em alto e bom tom possa agregar algo à essa ideologia magnífica; mas o pior de tudo mesmo, é no final das contas, ser subjulgada por ser uma ‘feminista’. Como se eu tivesse alguma patologia associada à minha lacuna alimentada pela minha burrice nessa constante busca por igualdade e direitos humanos. É perder a minha madrugada escrevendo textos e mais textos sobre como as pessoas podem se desapegar de hábitos desnecessários e desumanos, acreditando realmente que no fundo… Bem lá no fundo… Elas têm em si toda essa informação esperando para ser regada e desabrochar com a primavera. O único problema é que com essa droga de aquecimento global, o Brasil vive um verão eterno e às vezes me faltam forças para continuar acreditando…
Até eu me dar conta de que se eu não lutar pelo que acredito, eu não teria pelo que lutar. E sem luta não há realização! Sem realização, eu deveria me adaptar. E parafraseando Arnaldo: Não vou me adaptar!

Um brinde à queda dos reinados.

  1. Um brinde à queda dos reinados!
    Depois de mais um dos monólogos intercalados que eu tanto aprecio com a minha melhor amiga (periclitante quando eu defino, mas verdade seja dita), coisas que há tempo eu havia esquecido vierão à tona. Mesclando o reinado do passado e o reinado do presente com toda a má intenção de reinar sobre o futuro.
    Não se trata de um reinado ordinário; um reinado que prevê ordem econômica e o bem comum; um reinado que controla impostos; um reinado que promulga uma Constituição; um reinado que defende elitistas; um reinado que zela pela importação e imigração; não, não é esse o meu reinado e sequer foi.
    Há muito, o meu reinado se tratava de um ilumiegocentrismo e que caiba nessa expressão toda a arrogância que transborda em mim quando eu bem entendo. O bem comum era a idolatria bem praticada e os impostos eram elogios! Minha Constituição previa indiferença sobre tudo o que eu comandava e idolatria sobre o que eu realizava. Meu reinado se tratava de lealdade silenciosa; elitistas não tinham vez e apenas aqueles que eu definia ‘amigos’ eram dignos de paz. Porquê paz não era privilégio no “Mundo dos Ninguéns”! A imigração era proibida, meu grupo estava fechado para os externos; ditando quem entra e quem sai. Um reinado feito de barro e maquiado com Contém 1g, porquê a futilidade era seu princípio basilar e o salto alto era o cajado ungido pelo desprezo social.
    O fim de tal reinado é algo que traz apenas discórdia e controvérsias - tudo aquilo que estava adormecido embaixo do meu castelo de vidro. Não existe reino absoluto ou monarca eterno; a única verdade absoluta é que não há verdade absoluta em nosso meio e a única estabilidade mental é saber que tudo perece e modifica. Assim seja!
    Hodiernamente, o meu cajado é uma madeira com o formato de uma silhueta que tem em si cordas que o contém e o mantém sempre ereto. Tais cordas gritam em seu calabouço como se ali fosse o poço das lamúrias e dos cânticos. O cântico é a revolta materializada de uma nação que se acomoda em meu corpo. O meu novo reinado controla o caos e o descontrole que há em mim e sem certeza alguma, ele segue tentando governá-lo incessantemente.
    O maior e mais difícil reinado, de fato, é o reinado de uma pessoa só! Viver de aparências e controle social é fácil - não acrescenta, não engrandece e não satisfaz. Satisfação será o dia em que o auto-controle tomar posse e legislar sobre as outras emoções. Isso não é uma democracia, é tudo outorgado.
    Eu sou a Rainha da Guerra. A declaro sempre que posso, a idolatro antes de adormecer, a elogio quando vejo necessidade, a lapído para que esteja sempre preparada para a batalha, a levo para passear porquê o reinado pode ser de um mas na guerra de um: não há vitória!
    A guerra se adapta à todos os campos, existindo em todas as proporções, se alimentando de toda intensidade, defecando extremos e alucinando ingênuos. É ela que mantém um reinado e ela que destrói todos eles. Se guerra é necessária? Dizem que não. Se ela será extinta? Nunca. Sempre haverá alguma guerra a se travar.
    Que os reinados se esvanesçam enquanto a ascenção da Guerra é alimentada pelo caos interior com influência externa a todo momento.

Matagal no oceano.

"Moça, sai da sacada. Você é muito nova pra brincar de morrer. Me diz o que há! O quê que a vida aprontou dessa vez?"
Me deixe perdida no meu universo. Eu não sou a matéria física da sua ilusão cheia de expectativa nociva.
Eu posso ser produto do nosso sistema podre, mas sempre recusei aceitação! Eu não sou aluna, profissional, amante, espectadora, crente, ouvinte, moradora; eu não sou de algo ou de alguém e muito menos me encaixo nesse pequeno triângulo que estão sedentos em me jogar ladeira abaixo.
Eu não sou o que eu escolhi como formação acadêmica. Eu não sou o que eu estudo. Eu não sou meu método de gerar dinheiro. Eu não sou o que eu vendo, eu não sou o que eu falo, eu não sou o que você pensa e tudo o que eu sei sobre ser, até então, é o que eu, definitivamente, não sou.
Eu não preciso saber o que o futuro me guarda. Eu não preciso me dedicar à um curso e acreditar profundamente que esse curso me fará ser uma ‘advogada’. Eu não sou uma advogada ou aspirante de direito. Eu sou alguém que decidiu seguir a carreira, sem importar os motivos. O meu curso não me define! O meu curso é apenas um instrumento do conhecimento e não uma ciência que irá definir minha trajetória.
Com licença, me deixe ser. Me deixe estar. Eu não preciso me gabar e encher a boca dizendo que existe em mim uma predisposição jurídica nata. Eu não nasci para ‘ser’ advogada. Eu escolhi estudar direito e a qualquer momento eu posso mudar minhas escolhas. E mesmo que eu tenha um diploma em Direito (porquê Deus e Direito começam sempre com letra maiúscula, claro) isso nunca restringirá meus passos e muito menos os facilitará!
Quer saber? Me disseram que eu devo me adaptar ao curso, que eu devo amá-lo e honrá-lo. Cadê o Direito me amando e respeitando?
"Ana, para de usar all star. Isso não é coisa de advogada. Ana, tira essa peita de banda. Põe uma camisa social. Você tem que se adequar se quiser ser aceita em nosso meio. Com essa tattoo aí? Nunca vai conseguir emprego."E eu tenho algo para vocês: vocês estudam cinco anos, se fantasiam todos os dias de ‘gente grande’, alimentam uma mentira caótica de justiça, aderiram a filosofia do curso por saberem que o retorno financeiro e o status irão satisfazer esse ego falhado de vocês. Corrompidos! E, sabe o que é triste? Não foi o curso que corrompeu ninguém. OINC OINC!
Engulam a minha verdade, escrotos. Eu vou continuar usando all star, usando óculos ‘descolado’, pagando de não ser como vocês, falando palavrão ao invés de jurídiques; eu vou continuar priorizando a música, o feminismo, a Killer Queens, a balada dos finais de semana, a bebida, o cigarro, a maconha e o aborto. Esse curso não me representa. Eu irei apenas utilizá-lo para alcançar meus objetivos. Eis a real finalidade dele, seus estúpidos. Pagadores de ‘nasci para o Direito’! Tomem no cú.
Não tentem me desmoralizar e retirar todo o meu crédito em ser foda só porquê eu decidi não me ‘enternar’ nesse hospício que vocês chamam de Ordem. O que eu quero vai além do que vocês conseguem enxergar.
Me deixem estar. Quem paga meu curso, quem escolheu fazê-lo e quem tem o poder de me fazer saber a matéria e passar nessa droga de semestre sou eu! P-O-R-R-A!
"Moça, ninguém é de ferro. Somos programados pra cair!"

Botão Acionado

A diligência em cada vez que encaro o céu: criar uma nova ilusão de liberdade. E aquela frase correndo pelo que me resta de sanidade: “Quem governa a Analândia?”; maldição!
A auto destruição vem desmedida: aos poucos e por pouco. Flagelação se tornou placebo e as minhas obsessões, pilares destruídos de um reinado derrotado. Os amores podem ter sido de mentira, mas eu nunca menti assim.
Mas e quem governa a Analândia? As personagens vestiram suas fantasias e embelezaram suas máscaras: “Próximo à entrar em cena!” - gritou aquele louco com um headphone e uma prancheta na mão escondido atrás das cortinas.
"Ana, a sua vida é um enredo de teatro." - e os atores se posicionaram no meu palco…
O Ódio e o Amor travavam uma batalha com bastonetes: “Cuidado, Amor! A ‘tristeza’ está de olho em você” - gritava o Ódio enquanto sorria de lado e não observava que o pequeno Bom Senso estava logo atrás dele.
A Mágoa havia trapaceado a Coragem e estava mutilando seu corpo fragilizado pela ausência de seu grande amor: a Integridade.
O Medo torturava a Sanidade com suas artimanhas alimentadas pela Maldade. A Crueldade? Havia descido do palco e estava atacando a platéia. Ela nunca se contenta com o papel escalado.
A Força estava controlando a iluminação, tentando encontrar uma brecha para participar do próximo show. Ela estava ocupada demais estando apaixonada pelo Desinteresse. Não sabia que o Desinteresse estava traçando a Bondade. E a Bondade, coitada, fora atacada nos olhos pela Ingenuidade; qualquer um seria suficiente.
Mas e quem governa todos eles? O Passado. O Passado que se faz presente; o Passado que corrompe o Futuro; o Passado que alimenta o Caos - o mascote da turma.
Mas se o nome do Estado é Analândia… Porquê não a Ana? A Ana estava ocupada demais se lamentando pela Infância que chorava no seu canto, questionando onde foi que tudo começou. E a Ana sempre gritando para a Fé: “Apague as luzes. Apague as luzes. Feche essa cortina! Chame a Esperança para encerrar esse show.”; e a Esperança respondia: “Feche os olhos que tudo irá se apagar! Feche os olhos, Ana. A Ilusão irá te resguardar por lá.”
E foi assim que a Ana perdeu o seu governo e não conseguiu mais se livrar da Ilusão. Malditos sejam esses atores… Todos corrompidos pela Ana que não sabia, mas tinha o Controle nas mãos. A Ana sempre se interessou pelo botão vermelho que estava escrito “Ejetar” mas acabou se confundindo (já que a Força perdeu o controle das luzes) e apertou o botão “Auto Destruição”.

E se eles acreditam: So be it!

Há uma pulseira de couro sintético com o símbolo de uma marca multinacional no meu pulso, mas eu ainda sou pretensiosa ao ponto de taxar o resto do mundo do que eu bem entender. Eis o meu universo particular com acesso restrito.
Basta um giro de 360° e tudo se expõe… Hipócritas, loucos, cruéis, famintos, sedentos, invejosos, lazarentos, soberbos, aproveitadores, oportunistas, sexistas, babacas, idiotas, egocêntricos, problemáticos, energúmenos; já que, no final das contas, nenhuma característica boa é evidenciada.
Tentaram elogiar: “Parabéns pela coragem em se expor”. Ingênuos… Estamos todos expostos. Expostos à nossa própria radiação e à radiação de outrém cabe à nós mesmos se nos afeta ou não. A blindagem é natural, quem corrói ela somos nós. Esconder o que penso ou sinto não me protege do meu mais cruel inimigo e o que as outras pessoas podem pensar…
Olha, eu posso expressar o que penso e sinto por elas levantando o meu dedo médio. Desculpe, mas não existe espaço no meu mundo para o mundo de ninguém. E se eles ainda perdem tempo tentando entender ou julgar o meu mundo é porquê obviamente desistiram de seus mundinhos fracassados. Aqui não existe ferida exposta, apenas expressa. Ninguém cutuca minhas feridas além de mim. Ninguém pode me ferir e ofender tanto quanto eu mesma.
Talvez o sentimento de superioridade seja mesmo uma patologia da Era, mas definitivamente, o problema de auto análise, é! Todos são melhores que alguém e isso é tudo questão de escolher a pessoa certa a se comparar. Por quê ‘comparar’ e ‘comprar’ só se diferem por um A; e nunca saberemos quais dos vícios são mais satisfatórios.
Me disseram que quando alguém me mandasse uma caixa de merda eu deveria retribuir com um buquê de flores. Ou como dizia Jesus: “Dái-vos a outra face!” e a prolixagem passa dos limites em vários aspectos.
Minha mãe diz que eu escrevo apenas coisas ruins e de forma esdrúxula; uma potencial ‘não-leitora’. Oh, eu posso me sentir mal agora? Devo me rebaixar e parar o que sempre fiz e sempre faço porquê algumas pessoas não concordam? Devo me calar diante meus valores porquê as pessoas não os compreendem? Espera, só um momento. Estou tentando encontrar esse hardware que implantaram no meu cérebro para agradar e me importar com os outros… Hum, acho que deu bug. Sorry.
Não sei ao certo entre quais palavras da frase “Eu não me importo, de verdade.” eles ouviram a expressão: “Olha, eu sou insegura e preciso que você me aponte o caminho à essa sua ‘liberdade’ pseudo emocional e super social”. Se eu quisesse eu mudaria. Se eu me importasse, cederia. O que me impede? O fator basilar, aquele que você não faz parte e que nunca te disse respeito.
Sentem-se ofendidos quando eu digo que não tem nada a ver com eles mas se realmente tivesse a ver com eles; o que fariam? Nada. Porquê se não fosse mói cuidando do meu universo, seria outra pessoa e o loop segue…
Então, Jesus, não! Eu não dou a outra face, eu não mando buquês, eu não me adapto… Eu retribuo com toda essa indiferença que eu guardo com amor e sutileza. Mas que no final do dia, pesa mais que chumbo aos fracos.
Não ouse dizer que quer cuidar de mim quando tudo o que você espera encontrar é uma brecha até aquilo que realmente te interessa. E independente do que seja, nunca será a mesma coisa que eu almejo. Meus anseios são tão grandes e tão voltados à mim que se algum dia criassem um aparelho que exibisse em alta qualidade o que eu sinto, acabaria em um abismo no final do túnel destruído por atos de violência gratuita com aquelas lâmpadas piscando frenéticamente e te impedindo a visão.
Eu não me vejo perdendo tempo tentando decifrar a mente de alguém, tentando conseguir o afeto de alguém, tentando culpar alguém pelos meus sentimentos, tentando sufocar as pessoas com as minhas carências e necessidades; já que no final do dia, eu estarei sozinha e todo o tempo que eu gastei tentando preencher o meu vazio com pele e palavras, nada disso amenizou a realidade.
Nascemos sozinhos, respiramos sozinhos, escrevemos nossos lixos e sentimentos, nossas dores e amores foram criados por nós; sozinhos, pra no final cair em uma cova individual com um epitáfio de “Jaz aqui uma esposa dedicada. Uma mãe amorosa. Uma pessoa muito amada.”; o que não está escrito? É que ela está ali, enterrada sozinha. E que enquanto ela viveu isso tudo, não havia uma sala de bate papo na consciência, apenas um monólogo chato sobre pessimismo e um manual de uma palavra sobre como lidar com isso: “Sobreviva!”