Mais um domingo e já não sinto sua presença em lugar algum nessa droga de lugar.
Sua face esvai-se entre todas as memórias que eu já não tenho sobre nós dois.
Seu cheiro se tornou irreconhecível entre os milhões que tenho sentido diariamente.
Sua risada ainda ecoa quando ouço alguma piada que seria típica de você.
Não tenho mais aquela vontade insaciável de te abraçar e implorar por uma reconciliação.
Suas mãos, que eram a minha parte preferida do seu corpo; já não me iludem com carícias e sensações que não passavam de terminações nervosas extremamente sexualizadas.
Você já não me excita e finalmente posso sentir fluir, novamente, a poesia em mim.
Sou minha, excepcionalmente minha. E não no sentido onde há exceção, apenas anormalmente, por fim.
Não existe mais aquele planejamento apressado onde eu deveria chegar a tempo em sua casa para que pudéssemos ficar abraçados na sua cama, rindo de algum anime idiota que você adora e que eu simplesmente me adaptei por te amar o suficiente para isso. Antes que passasse True Blood e você dissesse que teria que ser uma rapidinha porquê tinhamos que acordar cedo na segunda...
Aquele medo de te perder para o acaso ou destino. Ou que você conhecesse alguma garota que te abrisse os olhos e te fizesse perceber que eu não era tão especial assim. O medo de não ser boa o suficiente para você, se foi. Permanece apenas a sensação de que você não é mais o suficiente para mim.
Seu desmazelo e suas expressões sujas para me definir, nunca me fizeram falta.
A falta das pressões que eu te fazia passar tentando conseguir alguma reação romântica ou patológica, me liberta.
O controle e ciúmes que eu colocava na relação se converteram em solidão amorosa e criativa.
Sinto falta da sua amizade e dos seus conselhos que nunca condiziam com a minha realidade. Sinto falta das nossas tremendas diferenças nos acrescentando novas características dia após dia.
Me deprime pensar que muitas vezes me pego pensando em você, sabendo muito bem que em nenhum momento você pensa em mim. Já que esse foi um dos fortes motivos que levou nossa relação ao final. Não por amor, mas por orgulho.
Lamentavelmente, somado a tudo isso vem a antipatia... A antipatia criada por caras que pensam que podem algum dia me conhecer tão bem quanto você. E não confunda isso com recalque ou saudades suas. É apenas preguiça.
Eu sinto uma angustia tremenda quando me vejo forçada a voltar ao mundo das conquistas e lidar com caras inseguros, seguros demais, fingidos, forçados, ninfomaníacos, assexuados, chatos, cultos demais, burros demais, fúteis demais, desligados demais, apegados demais, geminianos, arianos, sagitarianos, babacas, com algum defeito simples que me leva ao nojo em poucos segundos, otaku, viciado em futebol, punk, roqueiro, pagodeiro, comum, sem graça, hippie, da ufu (os piores), da uniube (santo pai!), da roça, do caralho a quatro, filhos únicos, irmãos do meio, irmãos mais velhos, caçulas, machonheiros, bebuns, caretas, bitolados, vazios e pra terminar... qualquer um que não seja você. Não pelo fato de ser você que eu quero, mas por te conhecer tão bem e vice-versa; sem que haja a pressão do 'vai que rola' porquê a gente sabe que sempre rola.
Mas por fim, eu continuo não sentindo você e sim as mudanças que aconteceram a você nos últimos anos que levaram a pessoa que eu amava. E é um saco ter que dar o braço a torcer e gostar de alguém novo.
Porra, eu sou uma regredida fixada. Me dope, doutor. Quero vicodin na veia, agora. Adeus, amor desgastado que não abre espaço para mais nada.
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