sábado, 10 de maio de 2014

O que te torna única?

Sou mais uma face entre milhões de pessoas.
Sou mais uma sobrevivendo antes de viver.
Sou mais uma artista entre tantos.
Sou mais uma amante de palavras e contradições...
Sou mais uma que se encontra perdida entre a sensação de originalidade que pode ser mais uma patologia da massa.
E aí, o que me torna única? Quantas Anas estão soltas por aí?
Quantas Anas passaram e passam por tudo o que vivi?
Quantas Anas sentem o arrepio atrás da nuca quando ouvem Nina Simone?
Quantas Anas se sentem minimizadas depois da inundação megalomaníaca?
Quantas Anas carregam o 'Drama' depois de seu nome com todo aquele orgulho ilógico que é assistido por pessoas que não entenderiam nunca o que se passa aqui dentro?
Estamos falando de milhões de pessoas, milhões de traços únicos, milhões de idiossincrasias idênticas: a subjetividade pode ser multiplicada por qual número?
Então, é... Peça piedade! Pois todos nós vivemos, todos nós somos, todos nós choramos, todos nós lamentamos, todos nós sorrimos, todos nós amamos, todos nós somos tão excêntricos e insubstituíveis em nosso próprio universo que nos esquecemos que existe um mundo além do nosso... Aliás, vários mundos! Mas seguimos permanecendo aquele eco do que costumávamos ser, mas ainda encontrando pulmões para gritar pelo que buscamos ser.
E se a vida é realmente uma questão de 'ser', quem é você? Você se apega às características físicas, ideológicas ou espirituais? Quem é você? E no final do dia, você se orgulha do que você é? Mais alguém se orgulha do que você é?
Quão diferente você é e quão diferente você espera ser? Adaptação já é um termo subestimado. Acabamos por nos adaptar às mais simplórias excentricidades como se elas realmente nos tornassem diferentes...
Mas e aí? Quão diferente você consegue ser daquele que você mais despreza?
Quando eu digo que canto aos miseráveis e àqueles pelos quais sinto pena... Eu sou a única que se arrepia. E se, no final das contas, eu estiver cantando por mim?
Quão longe as minhas auto conspirações e auto afirmações me levaram? Como eu posso saber se já estou longe o bastante para me afundar ou perto o suficiente para bater a testa no chão raso nesse mar chamado 'ego'?
Eu sempre odiei arrogantes e tive audácia suficiente para me colocar acima deles. Isso me torna uma arrogante ou alguém que vai contra arrogância? Porquê a indiferença, de fato, é a indolência. Entre amor e ódio existe aquela famosa linha tênue que se chama: conflito. O conflito só te propõe duas posições: você se abstém e segue em direção à inércia ou você reluta enquanto encontra forças até o momento que percebe a submissão.
Você é a vítima, o herói ou o vilão da sua própria história? Mas afinal, qual é a sua verdadeira história quando existem tantas outras entrelaçadas à sua?
E se, não formos únicos mas apenas unidades?

Nenhum comentário:

Postar um comentário