domingo, 25 de agosto de 2013

Revolução Sexual, uma ova.

Você se levanta para mais um dia de luta e a primeira coisa que te perguntam é:
"Nossa, como você conseguiu carregar sua avó até o banheiro? Você é uma menina." - e eu não sei se foi algo que dizia respeito a minha idade ou a minha vagina...
Se eu expresso meus pensamentos em relação a relacionamento e sexo na faculdade, o que eu ouço é: "Nossa, Ana. Você é uma vadia." - eu só tenho palavras de amor e agradecimento em relação a mente bitolada de pessoas hipócritas que se escondem atrás de um saco escrotal!
Porquê se eu digo isso em uma roda só de meninas, elas ficam chocadas por eu não morrer de amores e não ligar sexo a casamento; e se eu digo algo em uma roda de meninos, é um absurdo prosseguir o assunto porquê além do mais, uma vagina não pode ouvir, muito menos opinar!
Que eu não ouse me zangar com piadas machistas! "Der, essa coisa de 'machismo' já ficou para trás, garota. Acompanhe sua era." - sim, eu já ouvi isso. sim, eu fiquei chocada. sim, eu me frustrei. sim, eu quebrei um copo nele já que não sou obrigada.
É incrível como as pessoas não enxergam a opressão sinistra e silenciosa que acontece logo abaixo dos narizes e acima das vaginas! São piadas escrotas, analogias ilógicas, limitações ignorantes e todo o tipo de opressão que eu já nem tenho paciência para lembrar sem me dar náuseas!
Digo uma coisa, apenas. Eu sou Ana antes de ser qualquer coisa, eu sou um homo sapiens sapiens, eu sou um animal racional, eu sou um humano estúpido, eu sou cidadã em uma civilização desajustada, eu sou feministx, eu sou sexuada, eu sou uma romancista; e não pense por um minuto que todo o preconceito e os ideais escrotos do mundo, possam me mudar em qualquer aspecto! Para os que não concordarem comigo, a porta há de ser sempre serventia da casa. Amém!
 
“[...]a sociedade aguarda ansiosamente por qualquer oportunidade de culpabilizar uma mulher por ter exercido livremente sua sexualidade, por ter sentido tesão, ainda que se venda uma falsa ideia de “liberdade sexual” e toda a classe média esteja contaminada com o suposto empoderamento das mulheres nesse sentido. A “libertação” sexual é estimulada, até um certo ponto, até que se possa manter o controle público sobre os limites da vida sexual das mulheres.
Ok, permitimos que vocês façam o que quiserem, mas arcarão com as consequências do sexismo ainda intocável que estrutura o pensamento, herança dos tempos mais brutais em que a libido feminina era crime – o pecado original cristão. Busque o prazer, os anticoncepcionais, as mil posições do Kama Sutra, o best seller de BDSM, mas saiba que em caso de gravidez indesejada o aborto é crime e vamos puni-la, em caso de sextorsão a culpa é sua por ter se exposto, em caso de estupro seu comportamento sexual será decisivo para culpá-la e durante o seu parto você será lembrada que “não gritou na hora de fazer”. Ouse escapar às regras e faremos você se arrepender do prazer que sentiu, se encher de remorso e culpa por cada orgasmo, porque, no fundo, tesão feminino ainda é exposto como motivo de vergonha no espaço público.”

Trecho extraído do blog Café Feminista.

2 comentários:

  1. Lamentável saber que em uma sociedade com cerca de 6 milhões de mulheres a mais do que homens (segundo dados da Pnad), ainda vivemos dias de discriminação e práticas medievais. Sem dúvida, é tempo de deixarmos a apatia e a negligência para trás e aceitarmos que existe sim preconceito contra mulher, assim como contra o negro, o índio e tantos outros que poderia citar aqui, com isto, faz-se necessário a luta e a inconformidade com esse sistema injusto e opressor. Parabéns Ana, não preciso fazer parte da classe para defender os direitos de alguém, concordo com cada palavra que disse.

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