sexta-feira, 3 de abril de 2015

Solidão Colorida

Era um quadro como outro qualquer. Características abstratas, mescla de cores e várias imagens interpretáveis...
O devaneio bateu com força dessa vez, como todas as outras vezes; "O que é que deu errado?" - ecoava na minha mente.
Se eu tivesse sido menos eu por alguns segundos, talvez a essa altura, eu já tivesse alguém para chamar de "meu".
Esse sempre foi o maior conflito dentro de mim: será que eu precisava mesmo de alguém ou é a solidão, outra vez, tentando boicotar meus planos?
E assim, eu me arrastei atrás de quem nunca providenciaria o que eu precisava. E o que eu precisava? Talvez carinho, talvez amor, talvez loucura e discussão; tudo que resultasse em desequilíbrio emocional em algum momento.
Eu queria um motivo! Eu queria alguém para responsabilizar pela minha infelicidade... Não era aceitável ser a responsável.
E se a culpa fosse das constelações e a posição dos planetas? Talvez de algum ser divino e supremo que controlasse o meu destino...
Parece que quanto mais eu questionava, mais longe me encontrava de uma resposta concreta. E se essa resposta estivesse em mim?
Droga, não conhecia ninguém que tivesse feito uma lobotomia bem sucedida ou algum pai de santo que a encontrasse em minha alma.
Era tudo culpa daquele maldito quadro! Eu sempre disse que as cores dele não combinavam com a capa do sofá mas nunca tomei uma atitude.
Acho que tinha medo de deixar a parede vazia e dar um ar muito simples à sala de estar... Não tenho outro quadro para colocar!
E se eu mudasse a capa do sofá? Bom, eu gostava da capa do sofá marrom. Dava o ar de sobriedade que eu precisava no meio de tantas cores.
Eu nunca gostei de cores, na verdade. Eu gostava de pensar no mundo como um gibi preto e branco - não cabia muita interpretação visual.
De fato, tudo que trazia a descrição "visual" me dava náuseas mas sempre escolhi as pessoas assim. Visualmente agradável? Ok.
Eu temia muito o ridículo por não me enquadrar no "visual" aceitável, até que abracei o ridículo como um adjetivo não mais pejorativo.
Agora, quero que o mundo seja todo ridículo em suas particularidades coloridas e que tudo se encaixe nesse maldito quadro!
Acabei nomeando o quadro como "Solidão colorida" - um nome irônico e divertido que sempre me lembra que o que eu preciso é parar de
me irritar com as inconstâncias e parar de tentar parear as coisas... Tanto o quadro e o sofá, quanto eu e alguém que não se encaixa em mim.
"Solidão colorida" é seu nome. Signo de áries. Seu ser divino e supremo é aquele que se identificar em suas cores - vermelho, azul, verde, preto, amarelo e traços dourados que desenham o cabelo de Marilyn Monroe em sua forma abstrata de quem estará ali sozinha enquanto for identificada assim.

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