Eu acordei no meio da noite após saltar em desespero como quem caía de um penhasco em algum sonho traiçoeiro, me perguntando: "E se?"
Aquele copo sujo em cima do meu teclado andava me irritando! Não mais do que a meia suja que eu joguei no canto e não tive coragem de retirar. Mas tudo anda meio que me irritando depois que ele disse que não poderíamos namorar já que namorar para ele implicaria em estar apaixonado... Coisa que ele não estava.
O que ele quis dizer com isso? É uma boa pergunta. Mas a pergunta que não quer calar mesmo é por que eu não dobrei aquela cropped vermelha que está em cima da mesa há uma semana?! Aquela guimba de cigarro está em cima da pia há dois dias e já não sei se a finalizo ou a jogo fora.
Ele tinha ojeriza à cigarro. Eu prometi que pararia mas não iria adiantar... Esse era o menor dos meus defeitos e quem não pode suportar uma fumacinha eventual não conseguiria aguentar a carga de lidar com a minha desordem; e nem estou falando da emocional, ainda.
Fiquei com receio em pendurar aquela sátira feminista na porta da sala e ele ver. Ele não entendia muito bem os meus ideais e normalmente eu me silenciava porque tentava me adaptar à ele. O que é que custa tentar mudar algumas coisas em troca da felicidade a dois, certo? Errado. Eu odeio lavar pratos e odeio mais ter que lavar copos. Foram alguns copos noutro dia... E depois o chão da sala... Ah, eu não acho que estou pronta para o compromisso de amar. E para ele, parece que amar implica em mudar. Quanto mais eu tenho que mudar? Já me deu preguiça só de pensar.
Quando ele disse que não estava apaixonado eu me senti aliviada e ao mesmo tempo ultrajada. O que isso quer dizer? Não sou suficientemente boa para ele ou é o contrário? Ou não quer dizer nada? Mas tudo diz alguma coisa, até o mais profundo silêncio e as toalhas molhadas penduradas no chuveiro dizem algo... O que é que isso significa? Que de novo, escolheram não me amar...
Sei que é complicado amar alguém como eu. Alguém que não cabe em qualquer lugar. Tem lugares específicos para me guardar... Eu nunca coube em qualquer retrato e não seguro em qualquer mão. Exigente? Talvez um pouco além da cota para alguém que possui uma pilha de roupas segurando as contas do mês que vem no rack... Quer saber? Que seja assim, então. Que ele fique bem com o mundo dele. Eu estarei bem no meu... Quem sabe, por ironia do acaso, eu volte a escrever? Não por ele, mas pelo silêncio dele que representou mais do que a presença em si.
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