quinta-feira, 21 de maio de 2015

A Era do silêncio.

Uma unha, um cigarro e um olhar. Acabei notando: perdi a minha voz!
Começou a era do silêncio... Não falo da voz potente e grave entoando alguma música que faz os pelos arrepiarem, mas da voz que fala ao meu ouvido que o dia amanhã ainda irá brilhar. A mesma voz que grita por princípios que só ela poderia me levar a acreditar. A característica dessa voz era esperança... Talvez prepotência. Mas ainda esperança. Esperança essa que eu nunca precisei analisar já que sempre esteve ali, presente e constante, mesmo quando me encontrava em meio ao caos emocional; mesmo quando não parecia haver uma luz no final do túnel, essa voz acendia em neon. Talvez não a luz que todos aprovassem, mas a luz que fazia sentido para mim. No final das contas, o meu mundo e o meu túnel são partes integrantes do meu Estado interior sob uma forma de governo egocêntrica e individualista; nada mais justo não caber a mais ninguém.
Mas parecia que alguém tinha arrombado os portões de aço entre as muralhas do meu mundo! Qual foi o gatilho que deu essa brecha? O mesmo gatilho que abastecia a voz: EU.
Eu estava de frente ao que poderia ser o grande amor da minha vida já que eu havia vivido aquela cena na minha cabeça mil vezes antes mesmo de nos conhecermos.
Eu e meu hino clássico que ecoa entre as feridas expostas que eu me recuso a fechar: "e se... e se... e se...". E se, eu retirasse os "e se"s e parasse de buscar razões para lamentar quando vivo tempos de calmaria? Continuo no "e se" e ele conseguiu me silenciar.
"E se, realmente, ele tiver razão?", "E se, tudo o que eu acredito não passar de uma invenção para amenizar o 'se sentir fora da caixa'?", "E se, ele descobrir a minha farsa?", "E se, eu concordar com ele e acreditar que sou uma farsa?" e o famoso: "E se eu for uma farsa?" - não precisávamos trocar uma só palavra.
Farsa? É, aquele sentimento que aparece de forma inesperada, sem circunstância certa e sem pedir permissão: não obstante a certeza de insuficiência, preenche os critérios para se tornar uma farsa. O que define uma farsa? Eu. Para quem eu defino a farsa? Aparentemente, para alguém que eu não conheço.
Ouso caracterizar essa descoberta da farsa como uma lacuna entre a razão e o amor próprio; a ponte entre ambos fora derrubada pelo pé de feijão das trevas plantado, estratégicamente, embaixo. Quem plantou? Eu vou jogar essa culpa nele porque auto sabotagem é um outro estágio de silêncio... Tentei explorar esse silêncio e tudo o que consegui foi ouvir um eco como se estivesse nas montanhas:
"QUE PORRA É ESSA, ANA?! Quando foi estabelecida essa regra de que você se importa com o que alguém possa ou não pensar em relação a você? E qual é a efetiva diferença que isso faz na sua vida ou no seu cotidiano? Pra quê? Não 'por quê?' mas: PRA QUÊ? A opinião alheia sempre diverge com a sua e isso nunca fez diferença em como você administra o seu mundo. A beleza da individualidade está em saber que a sua felicidade, o seu crescimento e qualquer outra cláusula que dite quem você é, o que quer ser ou vir a se tornar; cabe apenas a você! Essa é a supremacia do livre arbítrio. Essa é a preeminência da liberdade! É TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE BUSCOU!"
Um cigarro, uma unha e o olhar de quem não tinha mais nenhum poder sobre mim dentro de poucos instantes. A minha voz havia voltado depois de divagar até a minha grosseria natural:
   - Quer saber, cara? Qual seu signo? E não me venha com a baboseira de "você é uma dessas que acreditam em signos?" já que, na verdade, eu sou uma dessas que acredita que continuo não dando a mínima sobre o seu signo até porque você não me pareceu interessante o suficiente desde que começou a encarar a minha unha roída e o meu cigarro como se existisse mesmo um universo paralelo onde você fosse superior a mim; foi só uma maneira educada de puxar assunto com o rei de um Estado que eu não tenho o menor interesse em conhecer. Se preferir, pergunto qual a sua data de nascimento e finjo que te farei uma surpresa no seu aniversário... Quer saber? Foda-se. Não converse mais comigo.
Um retrato de como fiquei conhecida por ser arrogante, mas que na realidade, se tratava de um resgaste a minha personalidade. Nunca foi sobre ninguém além de mim, não faria sentido. Não pra mim!

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