Foi um comentário machista aqui, um comentário capitalista ali e uma foto enviada sem pedir permissão, mostrava grande parte da sua ausência de falo mas mostrava a necessidade de reafirmar seu falocentrismo heterossexual; ele era mais um.
Quantas vezes perguntei se eu acabaria me adequando a mais um ou se finalmente estaria bem sozinha? Boa pergunta, mas, de fato, não importa. A questão é que eu não sabia se me explicava por conta das unhas ou se já começava a trabalhar meu desapego naquele exato momento.
"Bom, sabe qual a causa psicossomática de roer unhas?" - e ele iria me perguntar o que é psicótica ou somática; depois falaria algo como: 'Ah, não importa. Você tem uma bunda linda, sabia?'.
Voltamos a estaca zero. Estou presa no fumódromo com um potencial pretendente que não fuma, não para de encarar minhas mãos - não sei se a ojeriza é com o cigarro ou com as minhas unhas que entregam toda a minha performatividade masculina; eu devo mesmo continuar em uma situação desconfortável só porque a dúvida se aqueles olhos são cinzas, vedes ou azuis, já não cabe em mim?
Eu tinha que falar alguma coisa! Aquela situação estava me corroendo as entranhas como se meu intestino fosse uma lasanha: "Acho que te amo." - e meu inconsciente soltou a clássica gargalhada do "te ferrei, de novo". Para a minha surpresa: "Como assim? Como eu me chamo?". E eu, finalmente, tomei coragem para ir embora. Idiotas, ignorantes, superficiais, hipócritas e escorpianos, eu até aceito; mas de surda basta eu lidando com as prerrogativas da consciência!
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