segunda-feira, 23 de março de 2015

Disse Carol...

Os olhos se encontraram enquanto as mãos se tocavam, corações arrítmicos e palmas suadas.
  - Mas... O que você acha de começarmos a namorar? Eu g-o-s...to de você e... Bom, eu espero... Não sei, acho que talvez você também goste de mim dessa forma e... Nossa, estou nervoso. - dizia Walter enquanto sentia um frio na espinha que tirava a cor dos seus lábios mesmo não havendo nenhuma conexão.
  - Não sei... - Carol suspirava algumas palavras enquanto assistia alguns filmes clichês rodando na cabeça e ouvia aquela voz que vinha do âmago dizer:
  " Para! Você já sabe como isso vai acabar, Carol. Não faça isso. Você já conhece todos os defeitos dele e agora é a hora de numerá-los para que você não se engane e não se machuque. Lembra do dia em que ele deu uma pequena babada depois de rir muito e você sentiu como se a relação estivesse mais humanizada após isso? Espera, não foi negativo o suficiente... Mas, ele fuma! E fumantes não vivem o suficiente para ver os filhos casando. Apesar de que você sempre achou sexy a maneira como ele deixa os lábios entreabertos enquanto traga e depois solta uma risada em um estilo chaminé que você nunca admirou dessa forma, então não vale, também. Achei! Ele ama chocolate! Você também ama chocolate! E na páscoa isso será um problema porque vocês acabarão brigando pelo Laka que ele vai comprar de presente pra você porque ele sabe que é o seu chocolate preferido e normalmente ele compra em grande quantidade que é pra dar para toda a família. Droga! Espera... Ele tem uma pinta meio rosada nas costas da mão que você nunca soube identificar ser eram orelhas de coelho ou um coração! Aquilo te deixa muito intrigada... O suficiente para te trazer ojeriza em algum momento e arruinar tudo. Isso! Ele tem muitos defeitos que você não conseguiria superar. Diz não! Diz não! DIZ NÃO, CAROL!"
  - Eu não quero namorar agora. Acho que devemos continuar essa relação casualmente mesmo. - dizia Carol com o nariz levantado como o de uma pianista em uma apresentação.
  - Mas Carol... Você sabe que eu quero namorar e que se for para continuar algo que não seja concreto, prefiro estar sozinho...
  - Então, que fique sozinho, Walter. Nós nunca daríamos certo mesmo.

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