sábado, 7 de março de 2015

Eu ouço os sinos... De novo.

Mais uma daquelas noites reflexivas em que você perde o sono e decide aderir a proposta 'dazamiga' de participar do blog dela. Um texto que descreve um momento, várias dores, uma personalidade, uma música e um estilo de vida.
Tudo começa quando ele responde a mensagem entusiasmada com alguma expressão estúpida que na verdade suspirava nas entrelinhas: "Querida, não estou afim de você!"; todos os amores não correspondidos e as ilusões da sua vida passam pelos olhos como um filme que já foi rodado um milhão de vezes e a fita acabou de prender no reprodutor: Quem foi que me colocou nesse ciclo infinito?
Eu sempre digo que é só uma inofensiva garrafa de vinho até tê-la secado por completo e perceber, apenas quando não há um sentido sequer que esteja intacto; que mais uma vez eu confundi álcool com amor e novamente confundi privada surrada de posto com altar de pensamento enquanto ejetava todo o "licor de pseudo amor" - conhecido como vômito.
Todas as risadas que eu já soltei enquanto lia textos da Tati ou da Young, me recusando a acreditar que alguém realmente pudesse sentir aquilo; tornaram-se combustível do descontentamento. Cheguei a conclusão de que sempre vou me sentir assim! Meio de lado, meio esquecida, meio abandonada e sempre meio de algo ou no meio de alguém e talvez sempre no meio de ser inteira por completo. Cheguei também a conclusão inevitável de que sempre haverá a possibilidade de esbarrar em um amor ou passar despercebida por ele ou talvez até descobrir um amor enquanto já amasse e que no final das contas, todos continuarão a ser amores mesmo quando eu tropeçar em algum no supermercado e me perguntar: "De onde é que o conheço mesmo? Hm, acho que já fui apaixonada por esse. Mas e aquele no caixa 3? Certeza que já o amei."
Se ao menos houvessem dedos suficientes para contabilizar quem já ocupou a vaga ao meu lado mesmo não cabendo nela, talvez por mim e bem mais por eles. Acaba sendo como sempre espero, se tornam um número na estatística dos "quase relacionamentos", dos "quase pegas", dos "com esse eu poderia até acreditar em casamento", dos "como é que eu me meti nessa fria?", dos "aham, agora me beija", dos "cala a boca, cara. tá chato" e dos piores: os "Fábios Henriques" - os típicos amores não correspondidos que te deixam de molho e te pisam enquanto ainda não têm certeza se precisarão de um step.
Mas dedos e números não te dizem que mesmo depois de todos eles, você ainda vai continuar respirando. Que mesmo depois de Fábio Henrique você vai continuar rindo dos videoclipes do Blink 182. Que mesmo depois de cada mensagem visualizada e não respondida, o mundo ainda dá voltas. E que voltas! Volta e meia dá tantas voltas que você acaba sendo mais um número estatístico na lista de alguém e sem ver você acaba sendo um "Fábio Henrique" (será que ele pode me processar por denominar relações com o nome dele?). E por fim, mesmo depois de tantos trancos e barrancos você ainda vai acreditar que possa haver mesmo alguém que combine com você. Não para gerar família, não pelas festas e fotos de casamento, não pelo status na rede social; mas, apenas pra poder olhar no fundo dos olhos desse amor e ter certeza que foi compreendida e que talvez, só talvez, pela primeira vez (de novo) em muito tempo, você possa, finalmente, se abrir e utilizar quantas vírgulas quiser em alguma carta e ele vai rir sabendo que você tem essa mania. Um amor que entenda o que eu quis dizer com "Eu ouço os sinos" por que sabe que eu sou fanática por Veronica Mars e Mike Doughty é o hino da minha vida em momentos de monólogo; e eu, provavelmente, já o teria obrigado a assistir mil vezes a série comigo enquanto brigássemos pelo travesseiro e pela parte confortável do sofá.
Mas o texto termina, a ilusão cessa e o absorvente interno está todo amassado pelo pompoarismo mal utilizado. O amor dos meus sonhos, uma hora dessa, pode estar em algum lugar da Ásia ou na periferia de São Paulo esquentando um leite quente pra tomar com canudinho antes de dormir. Vai saber, né? Nunca me interessei por vidência, de fato, nem acredito.
Só sei de uma coisa: prometo não permitir arruinar minhas crenças amorosas e meus ideais vitalícios até que eu derrube a caneca preferida do meu verdadeiro amor e entremos em uma discussão que irá decidir se ele é ou não é aquele que eu sempre aguardei.
Mas que fique claro que eu aguardo o verdadeiro amor sem temer amores errados e ojerizando amores falsos.

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