sexta-feira, 18 de abril de 2014

Só mais um texto antes de começar a te ligar.

Resisti, mas por pouco tempo. Sucumbi, me pareceu mais fácil assim. Injetei nas veias a ilusão do amor e as entupi de estupidez; precisava preencher o vazio com um pouco mais de você - meu vício.
Se eu te conheço? Nunca fez diferença. Você também não me conhece, assim como todos que já amaram e nunca me conheceram. É ingenuidade pensar que você pode conhecer alguém sendo que sequer se conhece. Ingenuidade eufemizando sua burrice, claro.
Já caminhei inúmeras vezes por essa estrada e já sei exatamente onde pisar até o abismo. O abismo sempre me atraiu. Gosto de sentir os pés balançando entre o chão e o nada enquanto decido, mais uma vez, se caio ou saio.
Modifico a playlist a cada semana, escolho a estampa da sua camiseta e o tênis que você usa, planejo minuciosamente as palavras que você escolhe para me agradar. Você é minha boneca inflável forjada ao relacionamento, te manuseio como bem entendo.
Insisto em te ligar de madrugada dizendo que você não entende o quanto o seu desinteresse me interessa. E o fato de você nem se importar com isso, alimenta a minha maior doença: você!
Aguardo o dia em que o mundo fará você se lembrar de mim. O dia em que ouvir garbage, encontrar feministas, ler contos de poe, ver filmes de terror e estiver namorando alguém que não chega sequer aos meus pés; te fará lastimar o fato de que não pôde me corresponder, pois se tivesse, nunca teria sido tão amável com você.

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