sexta-feira, 18 de abril de 2014

Teoria do Princípio da Misoginia - Parte Geral

"Lá vem mais um dos textos feminazis da Ana, puts."
Puts, lá vem o patriarcado querendo destruir o que resta de esperança na minha pobre essência idealista. E você? Acredita que haja algo além dessa realidade escrota? “I DO! I DO! I DO!” Se sim, bora lá!
"Cite quais os principais problemas que as mulheres enfrentam hodiernamente." e como eu não poderia expressar isso em poucas palavras… É, me recusei à responder!
Assim como me recuso à acreditar que as pessoas se limitem por medo do que a sociedade possa enxergar através de seus binóculos que espiam o sofrimento alheio como se fosse uma espécie de Vicodin visual. Lamento, a dor alheia não é tv aberta para alienados!
Os principais problemas que as mulheres enfrentam hoje estão todos enraizados em suas mentes bitoladas de sujeira estética e corrupção moral! Se é culpa delas? Não, é culpa de todos nós.
Todas levadas a acreditarem que: “Se você não se fizer pura; não tiver um parceiro - que, claro, pode ter inúmeras parceiras por ter um saco escrotal; não tiver ojeriza à relações sexuais; não se maquiar; não se depilar; não se fizer de burra em assuntos substanciais; não pintar suas raízes loiras, pretas ou brancas; não esconder essa celulite e essas estrias; não se privar de palavrões e gírias; não idolatrar Augusto Cury; não lavar suas louças e as do restante dos moradores de outro gênero da casa; não fizer as unhas; não usar salto alto; não usar saia; não achar paetê bonito; não gastar todo o seu salário desproporcional comparado ao sexo oposto em tratamentos e torturas que te façam ficar cada vez mais parecida com uma estúpida boneca de plástico; não aumentar esses seios; não perder esses 300g de gordura acima do peso ideal imposto pelo padrão misógino; não proteger o ‘seu homem’ das ‘inimigas’ que você chama de amigas; expressar sua indignação; não gritar quando algo a sufoca; não estiver apta a se machucar com as loucuras ditadas à você sem se manter calada; decidir não aderir a maternidade; decidir que a porra do seu corpo te pertence e etc bla bla bla. BLÁ! Você não tem direito de exigir respeito, MULHER! Ponha-se no seu lugar. A cozinha é pra lá e lembre-se de esfregar sapolium nessa aliança para que ela possa brilhar tanto quanto o amor que você sente pelo seu marido e familiares. O seu papel é esse. Adapte-se.”
Mas claro que se fôssemos expressar a realidade de um privilegiado seria: “Posso coçar o saco - já que eu tenho um; posso falar sobre sexo - e falar mal das mulheres que eu comi; posso deixar meus pelos crescerem; minha barriga de chop só demonstra o quão interessante eu sou; posso fazer piadas machistas, racistas, preconceituosas e cruéis - claro, tudo é muito engraçado quando não é comigo; posso dirigir meu carro enquanto buzino para alguma barbeira - já que mulheres dirigem super mal; posso sujar a minha roupa quando quiser - minha mãe ou mulher lavarão para mim; posso assistir o meu jogo de futebol e jogar truco com os meus amigos - minha mulher preparará os aperitivos; posso transar sem camisinha com quem eu quiser - além do mais, não é nas minhas entranhas que um ser indesejado vai crescer e o governo irá me impedir de retirá-lo caso eu não queira porquê a vida de um amontoado de células é sempre mais importante que a minha; posso transar com quantas eu quiser - porquê a minha pureza nunca foi superestimada e não possuo um hímen santificado pela Igreja Católica e pela misoginia; posso sair sem camiseta por aí quando estiver calor; posso cantar a mulherada e esfregar meu órgão nelas porquê eu sei que elas adoram - já que eu não compreendo o terror que é passar em um lugar cheio de olhos famintos te encarando e verificar a própria roupa em busca de um alvo demarcado nela; posso falar palavrões e quantas baboseiras eu quiser por ter um PINTO; posso dormir na casa das ‘namoradas’ já que a minha família vai ficar orgulhosa de mim - se eu tivesse uma vagina, eu não colocaria um pé pra fora de casa por medo de ficar ‘queimada na rua’; posso praticar luta e esportes radicais porquê de acordo com o senso comum eu sou o ‘sexo forte’; mas no final das contas, eu ainda posso contar com a ajuda daquelas pobres criaturas inferiores que foram inseridas no mercado de trabalho apenas por oportunismo, sabe? Vieram para facilitar o meu trabalho, mas ainda não possuem nenhum dos meus privilégios… Porquê, claro, eu continuo sendo o ser que carrega aquele cajado mágico, sabe? Qual o nome mesmo? Ah, pinto! Isso. É que eu sempre chamo ele de ‘Hulk’ ou ‘Máquina’, já que eu aprendi desde pequeno que devo ter orgulho do meu órgão sexual e explorá-lo profundamente enquanto as mulheres devem se contentar em me ouvir gabar sobre ele e se sentirem sujas ao se lembrarem que possuem a peça que se encaixa nele.”
Obviamente, ou melhor, espero que obviamente não seja uma generalização. Apesar dos últimos acontecimentos me provarem o contrário…
Sucintamente, o que eu quero dizer é: o machismo é uma semente da discórdia tão eficaz que escorrega no seco da garganta até adentrar alguma brecha ao cérebro e se apossar da racionalidade das pessoas.
Ingênuos dirão que isso é tudo coisa da minha cabeça enquanto ignorantes dirão que eu devo me adaptar se não quiser ser ‘mal vista’ ou ainda pior… Ser uma feminista!
E sabe o que é ainda pior em ser feminista? É ser contra quaisquer espécies de preconceitos; é acordar todas as manhãs sem me dar conta que devo me silenciar por possuir uma vagina; é reagir às críticas de maneira positiva e sem me submeter ao vício em piadas de humor negro superestimadas por essa massa estúpida; é ouvir mulheres se auto denominarem machistas mas me calar pois o feminismo dá à elas o direito da livre escolha; é ouvir a grande massa dizer que é contra machismo e feminismo, enchendo a boca pra dizer que ambas as correntes são loucas e assassinas; é acreditar que apesar de toda essa desinformação cultuada em palavras tão chulas e ofensivas, as pessoas podem aprender com as minhas atitudes; é acreditar que cada mísera palavra que eu digo em alto e bom tom possa agregar algo à essa ideologia magnífica; mas o pior de tudo mesmo, é no final das contas, ser subjulgada por ser uma ‘feminista’. Como se eu tivesse alguma patologia associada à minha lacuna alimentada pela minha burrice nessa constante busca por igualdade e direitos humanos. É perder a minha madrugada escrevendo textos e mais textos sobre como as pessoas podem se desapegar de hábitos desnecessários e desumanos, acreditando realmente que no fundo… Bem lá no fundo… Elas têm em si toda essa informação esperando para ser regada e desabrochar com a primavera. O único problema é que com essa droga de aquecimento global, o Brasil vive um verão eterno e às vezes me faltam forças para continuar acreditando…
Até eu me dar conta de que se eu não lutar pelo que acredito, eu não teria pelo que lutar. E sem luta não há realização! Sem realização, eu deveria me adaptar. E parafraseando Arnaldo: Não vou me adaptar!

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