sexta-feira, 18 de abril de 2014

Placebana.

Quando seu útero degenerar e necrosar o tecido endometrial periodicamente - desnecessário, já que preferia um pulmão reserva a uma encubadora embutida nas entranhas; enquanto seu cérebro entra em um tilt infinito e loopado, eu te darei o direito à palavra!
Até lá, você será sempre um coadjuvante na trama que traço constantemente entre nossas cruéis realidades. No entanto, não se chateie. Você ainda pode ser o capacho onde limpo os pés depois de mais uma guerra rotineira e a orelha depilada que aguenta minha revolta.
Enfie logo essa agulha na minha veia porquê eu preciso de mais uma nice trip em placebo! Amenizar a fome com marshmallows e a sede com vodca. Man, eu faço parte da Geração Caos! Os que me acompanharam aos 13 anos se perderam em uma estrada sem volta. Alguns se mataram, alguns se drogaram até secar todo o tecido adiposo e começar a cheirar pó dentro de suas próprias veias, alguns se entregaram aos contratos monogâmicos e os que mais me dão nó na garganta… São aqueles que se entregaram de corpo e alma à superficialidade, ao consumismo, aos padrões da mídia, às conversas sobre pacotes de canais de tv e aos planos de venderem seus all stars em algum bazar pra comprar um cappuccino na Starbucks. Vivendo um episódio de apocalipse sem zumbis; nação labirinto sem fim.
Alguns se baratinaram diante meus cachos agora negros. Alguns se revoltaram com o novo grave da minha voz. Alguns se assustaram com minhas roupas. Outros não reconheceram minha pele. Todos negando o sangue, todos negando a raça, todos negando meus novos olhos. Todo mundo em negação! É tanto placebo que acaba alisando os fios duros do couro cabeludo e desce maquiando as imperfeições e as cicatrizes de quem realmente fomos; nos tornamos e ainda somos.
Viver feliz é uma arte desgastada pela postura dos que se submeteram ao medo e tédio censurados pela sobrevivência!
Fui Barbie, fui Cassie, fui 4 tetas, fui Macarrão Sem Molho; pra eles, nunca fui Ana o suficiente. Hoje, sou Ana o suficiente para ser uma Blancato. Placebo, sua razão social é ‘Família’. Mas ainda uso o nome de Deus em vão e faço piadas sobre Judeus e Cristãos. Ouço as vozes de quem há muito já se foi e a razão: PLACEBANA!
Placebo é a nova droga inerte que me leva a acreditar que houve tratamento e cura. Houveram mudanças e crescimento. Obrigada, Placebo. Você é o novo cartoon debilóide que me faz rir e alucinar que tudo está bem quando na verdade, nada nunca esteve.

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